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rodrigues_website.jpgA cantora baiana Virgínia Rodrigues converte o samba em clássico e faz sucesso fora do Brasil

A história da cantora baiana Virgínia Rodrigues ficou tão conhecida internacionalmente que os jornalistas americanos a apelidaram de Cinderela brasileira. Ela calha à personagem da fábula: nasceu há 39 anos em Salvador, cresceu em uma favela, abandonou os estudos aos 12 anos e trabalhou como cozinheira e manicure. Seus pais, religiosos, levaram-na à igreja ainda criança. Ali, aprendeu a cantar de ouvido e passou a se apresentar em missas e casamentos. Quando já se conformava com o destino, veio o príncipe encantado. Era um conterrâneo: Caetano Veloso. O compositor descobriu-a há nove anos, contratou-a para o casting de sua gravadora, a Natasha, investiu na moça e a converteu em diva da MPB. Felizmente, o fenômeno não virou abóbora à meia-noite. Virgínia chega ao terceiro CD, Mares Profundos, coroada pelo sucesso no Exterior – embora ainda seja desconhecida em sua terra natal. Borralheiras não fazem milagre em casa.
Lançado em janeiro nos Estados Unidos, Mares Profundos chega ao Brasil nesta semana, com edição simultânea na Europa. O selo do álbum é o prestigioso Edge, da gravadora alemã Deutsche Grammophon, a mais tradicional da música erudita. A produção, claro, é de Caetano. O repertório é venerável: 11 afro-sambas compostos entre 1962 e 1966 pelo violonista Baden Powell (1937-2000) e pelo poeta Vinícius de Moraes (1913-1980). O programa fecha com o samba ‘Lapinha’ (Baden-Paulo César Pinheiro).
O CD apresenta uma evolução em relação aos primeiros trabalhos – Sol Negro (1997) e Nós (2000), ambos com boa recepção da crítica, mas marcados por certo exibicionismo endereçado a estrangeiros. Virgínia agora atinge a maturidade. Abandona floreios e indecisões para abraçar a técnica erudita. Seu disco pode ser ouvido como homenagem aos afro-sambas e profissão de fé na interpretação clássica. Ela inova ao abordar os sambas como crossover, o encontro do popular com o erudito. Isso num ano em que o mercado clássico murcha. A cantora tenta salvar a música erudita pelo samba. Obviamente, não consegue, mas produziu um belo álbum.
Acompanhada por um grupo de câmara em que estão presentes violão e percussão brasileiros, ela dá conta das composições. Sua voz de meio-soprano é precisa, e mergulha nas modulações e no conteúdo dos versos. Falta-lhe, talvez, uma dose maior de espontaneidade. Em muitos momentos ela soa como cantora de coral. Mas seu estilo não destoa do toque erudito que Baden e Vinícius imprimiram aos afro-sambas escritos sob o impacto do candomblé. A coleção põe em fusão bossa nova, jazz e atabaques. Essas músicas marcaram a MPB dos anos 60. Foi então que ‘Canto de Ossanha’ e ‘Berimbau’ se consagraram na voz de Elis Regina. Na de Virgínia, tornam-se árias delicadas, dignas de palcos de ópera e altares.
É um repertório difícil. Baden, com seu timbre de corda estalada, gravou-o mal no fim da carreira, e Mônica Salmaso iniciou a sua em 1995 enfrentando a coleção em alto estilo. A cantora baiana arriscou outro rumo, revelando a dimensão sagrada dos afro-sambas. Mantém o encanto que exibia nos tempos de principiante, sem deixar de ampliar seus horizontes, do pop ao clássico. E não poderia prestar homenagem mais apropriada a uma das bíblias da canção brasileira.

Fonte: Revista Época

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sol-negro.jpgVirgínia Rodrigues – SOL NEGRO (1997)

Faixas:

01 Verônica (Folclore)
02 Noite de temporal (Dorival Caymmi)
03 Negrume da noite (Paulinho do Reco – Cuimba)
04 Lua, lua, lua, lua (Caetano Veloso)
05 Adeus, batucada (Synval Silva)
06 Nobreza (Djavan)
07 Sol negro (Caetano Veloso)
08 Terra seca (Ary Barroso)
09 Manhã de carnaval (Antônio Maria – Luiz Bonfá)
10 I wanna be readt (American Spiritual)
11 Querubim (Carlinhos Brown)
12 Israfel (Edgar Allan Poe – Zuarte)

Som Negro para você!
nos_virginiarodrigues.jpgVirgínia Rodrigues – NÓS (2000)

Faixas:

01 Canto para Exú (Folclore)
02 Uma história de Ifá (Ythamar Tropicália – Rey Zulu)
03 Salvador não inerte (Bobôco – Beto Jamaica)
04 Afrekêtê (Edil Pacheco – Paulo César Pinheiro)
05 Jeito faceiro (Jaupery – Pierre Onassis)
06 Depois que o Ilê passar (Miltão)
• Ilê é ímpar (ALuizio Meneses-Alberto Pitta)
07 Ojú Obá (Edil Pacheco – Paulo César Pinheiro)
08 Raça negra (Walmir – Gibi)
09 Deus do fogo e da justiça (Oswaldo)
• Deusa do ébano (Geraldo Lima)
10 Malê de Balê (Edil Pacheco – Paulo César Pinheiro)
11 Mimar você Gilson Babilônia – Alain Tavares)
12 Reino de Daomé (Tonho Matéria)

Som Negro para você!

mares-profundos.jpgVirgínia Rodrigues – MARES PROFUNDOS

Faixas:

01. Canto de Pedra Preta (Black Rock’s Song)
02. Tristeza E Solidão (Sadness and Solitude)
03. Bocochê
04. Tempo de Amor (The Time of Love)
05. Canto de Iemanjá (Song of Yemanja)
06. Labareda (Burning Flame)
07. Canto de Xangô (Song of Shango)
08. Canto de Ossanha (Song of Ossain)
09. Lapinha
10. Consolação (Consolation)
11. Berimbau
12. Lamento de Exu

Som Negro para você!

o-canto-dos-escravos-capa.jpg

‘O Canto dos Escravos’ está de volta, em CD
O trabalho, original de 1982, reúne Clementina de Jesus, Geraldo Filme e Tia Doca, que interpretam cantigas ancestrais dos negros benguelas, de São João da Chapada, em Diamantina, Minas Gerais .

Um dos títulos mais importantes e corajosos da fonografia brasileira acaba de chegar, 21 anos depois do lançamento em elepê, ao formato digital. Trata-se de O Canto dos Escravos (dentro da série Memória Eldorado), coleção de 14 cantos da série recolhida por Aires da Mata Machado Filho no fim dos anos 20 do século passado, em São João da Chapada, município de Diamantina, Minas Gerais. Interpretando os cantos, Tia Doca, pastora da Velha Guarda da Portela, Geraldo Filme, um dos nomes fundamentais do samba paulistano, e Clementina de Jesus, a rainha negra da voz, como a definiram Moacyr Luz e Aldir Blanc.
O projeto do disco e a coordenação artística são de Aluísio Falcão, colaborador do Caderno 2, e a direção musical e produção ficaram a cargo de Marcus Vinicius de Andrade, hoje diretor artístico da gravadora CPC-Umes.
Marcus Pereira era um publicitário amante da música que criou o selo Ambos trabalharam, antes, no selo Marcus Pereira, que, pioneiramente, levou a cabo um levantamento sonoro da música da cultura popular de diversas regiões do Brasil – trabalho, aliás, que ainda não mereceu relançamento em CD à altura de sua importância. para dar brindes aos seus clientes, nos fins de ano. Aos poucos, abandou a rendosa publicidade, na qual era muito bem-sucedido, e ficou só com a gravadora, que viveu sempre grandes dificuldades financeiras. Problemas de distribuição, comum a todos os selos alternativos, projetos caros, como o citado mapeamento da cultura popular, com deslocamento de equipes e equipamento para praças distantes.
Não tinha preocupação comercial e tinha muita preocupação com a cultura. Os que se juntaram a ele tomaram o exemplo e, posteriormente, em outros selos, deram, de alguma forma, prosseguimento ao seu trabalho, eventualmente, ampliando-lhe o universo. A Eldorado tinha e tem, sim, orientação comercial, mas com extremo cuidado na seleção de seus títulos (Cartola, Nelson Sargento, Geraldo Filme, Adoniran Barbosa fizeram suas estréias em disco por ela), e sua iniciativa mais ousado terá sido esse O Canto dos Escravos, que há muitos anos estava fora de catálogo e era objeto de disputa entre colecionadores, estudiosos e amantes da cultura brasileira.
O filólogo, filósofo, professor de Filologia Românica da Universidade Federal e da Universidade Católica de Minas Gerais, historiador, jornalista, presidente, durante muito tempo, da Comissão Mineira do Folclore, foi um pioneiro em muitas frentes. Escreveu, nos anos 30, já que sofria de deficiência visual, uma Educação de Cegos no Brasil, e publicava, no jornal O Estado de Minas, uma coluna semanal com lições de ortografia e gramática, além de responder às dúvidas dos leitores.
Carlos Drummond de Andrade escreve-lhe uma homenagem em forma de poema, louvando o “mineiro ladino/ Que captou na fala do povo/ No mistério dos ritos/ no arco-íris das serras/ O ar, a alma de Minas”.
Em férias, em 1929, o filólogo viajou para São João da Chapada, onde lhe chamaram a atenção “umas cantigas em língua africana ouvidas outrora nos serviços de mineração”, conforme descreveu no livro O Negro e o Garimpo em Minas Gerais, obra publicada em 1943 pela editora José Olympio.
Vissungos – Tais cantos são chamados vissungos, palavra que vem do umbundo ovisungo (cantiga, cântico), conforme ensina Nei Lopes em seu Dicionário Banto do Brasil. Já era plano de Aires da Mata Machado recolher os vissungos e reunir o vocabulário e a gramática da língua dos negros benguelas. Teve pouco êxito na primeira investida; na
segunda, ele e seu colaborador Araújo Sobrinho ouviram de um Seu Tameirão 200 palavras e algumas cantigas; adiante, surgiram outros cantadores que sabiam letra, música e tradução.
Mata Machado sustenta a importância dos vissungos, sua influência nos começos daquelearraial e mais “os vestígios da língua das cantigas na linguagem corrente, na onomástica e na toponímia” – os vestígios de um um dialeto banto num tempo em que se pensava que a língua dos negros trazidos como escravos para o Brasil resumia-se ao nagô.
Ele defendia que os estudos da dialetologia brasileira e questões que dissessem respeito à etnografia seriam sempre provisórios se não fosse considerada a importância de Minas Gerais – e o tempo encarregou-se de mostrar seu acerto. O texto de introdução de O Negro e o Garimpo em Minas Gerais vai reproduzido no CD; o autor autorizou essa reprodução e a gravação de 14 dos 65 cantos que recolheu e partiturou. Autorizou, ainda, a reprodução das notas que, no livro, acompanham as letras dos cantos, traduções do dialeto dos benguelas e observações sobre o sentido dos textos. O dialeto, já modificado, incorporava palavras em português e misturava as duas falas: “São João foi no céu, é dévera/ São João foi no céu, é mentira/ Omenhá, omenhá rossequê”, canta a voz ancestral de Clementina de Jesus, nascida em Valença, no Estado do Rio, mas de família que migrou de Minas, no Canto XII. Os cantos não têm títulos, são numerados.
O disco, de uma beleza crua, não tem instrumentos harmônicos. Acompanham os três cantores a percussão de troncos, xequerês, enxadas, cabaças, atabaques, agogôs, ganzás, caxixis e afoxés tocados por Djalma Corrêa, Papete e Don Bira.
Os intérpretes são figuras de sabida importância na divulgação e sustentação da cultura brasileira de origem africana. Geraldo Filme, grande compositor, cantor de vozeirão profundo, foi, na definição de Osvaldinho da Cuíca, o grande articulador, a “cabeça pensante” do samba paulistano. Tia Doca, nascida Jilçaria Cruz Costa, manteve por décadas um pagode dominical que ajudou a manter vivo o samba de raiz carioca; sua participação no disco foi sugerida por Clementina de Jesus, que foi revelada ao mundo aos 64 anos, depois de ouvida, num botequim da Lapa, centro do Rio, por Hermínio Bello de Carvalho.

Paulo Eduardo Neves
Fonte: Agenda do Samba & Choro, o boteco virtual do samba e choro

Faixas:

1-Canto I (Folclore)
2-Canto II (Folclore)
3-Canto III (Folclore)
4-Canto IV (Folclore)
5-Canto V (Folclore)
6-Canto VI (Folclore)
7-Canto VII (Folclore)
8-Canto VIII (Folclore)
9-Canto IX (Folclore)
10-Canto X (Folclore)
11-Canto XI (Folclore)
12-Canto XII (Folclore)
13-Canto XIII (Folclore)
14 -Canto XIV (Folclore)

Som Negro para você!

jovelina01.jpgRevelada tardiamente, estreou em disco em 1985, na coletânea “Raça Brasileira” com dois pagodes clássicos: “Bagaço da Laranja” e “Feirinha da Pavuna”. Herdeira natural de Clementina de Jesus na dinastia das grandes vozes femininas do samba, foi uma das peças importantes da condução do samba de fundo de quintal e do pagode para a linha de frente da MPB, ao lado de Zeca Pagodinho, Almir Guineto e o Grupo Fundo de Quintal. Pastora do Império Serrano, foi alçada ao estrelato depois da estréia, gravando cinco discos entre 1986 e 89, conquistando até um Disco de Platina. Seu último disco, “Samba Guerreira”, foi lançado em 1996. Entre seus maiores sucessos estão “Amigos Chegados” (Arlindo Cruz/ Luizinho), “Luz do repente” (A. Cruz), “Feirinha da Pavuna”, “Bagaço da Laranja” (com Zeca Pagodinho e Arlindo Cruz), “Garota Zona Sul” (Guará).
A voz amarfanhada da pagodeira Jovelina Pérola Negra (1944-1998) tem estirpe e a coloca entre as grandes damas do samba, de Clementina de Jesus a D. Ivone Lara. Ex-empregada doméstica como Clementina, Jovelina Faria Belfort desfilava na ala das baianas do Império Serrano e ficou conhecida como partideira animando o Botequim da escola da Serrinha ao lado de Roberto Ribeiro e Jorginho do Império. Em 1985 escalou o pau-de-sebo (disco de diversos intérpretes iniciantes que serve como teste de popularidade) que projetou Zeca Pagodinho, entre outros. Embora em menor proporção que o colega, ela tambéjovelinaperolanegra.jpgm estourou no mercado. Essa antologia empilha os melhores momentos (registrados no selo RGE) de uma carreira cortada subitamente por um enfarte dez anos atrás. No repertório de raiz , centrado no partido alto dos fundos de quintal movido a banjo e tantã, há desde outro sambista precocemente falecido, o Guará de Sorriso Aberto e Sonho Juvenil ao Nei Lopes de Camarão com Chuchu, o Mauro Diniz (filho de Monarco) de Malandro Também Chora e Passarinheiro Fanfarrão (com Monarco e Ratinho). Outros especialistas no estilo desalinhado do pagode (que punkiou o samba dos 80) entram na divisão esperta e bem humorada da autora de Feirinha da Pavuna e Peruca de Touro (com Carlito Cavalcanti) como Adilson Bispo (Confusão na Horta, com Zé Roberto e Simões PQD) e o Beto Sem Braço de Menina Você Bebeu, com Acyr Marques e o mesmo Arlindo Cruz (cuja mãe na época comandava um fundo de quintal básico em Cascadura) do clássico Bagaço da Laranja, que a cantora divide no gogó com o co-autor Zeca Pagodinho. O suprassumo do pagode na voz de sua diva sem pedestal. (Tárik de Souza)

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1985 – Raça Brasileira – Ótimo LP da RGE, onde aparecem pela primeira vez nomes como Zeca Pagodinho, Mauro Diniz, Pedrinho da Flor, Elaine Machado e Jovelina Pérola Negra.

Pagodes que a Jovelina interpreta neste disco:

1.Feirinha da Pavuna (Jovelina)
2.Pomba-Rolou (Adilson Gavião/Carlos do Cachambi)
3.Bagaço da Laranja (Arlindo Cruz/Zeca Pagodinho/Jovelina)

Faixas:

01 – Raça brasileira – Canta Elaine Machado
(Zé do Cavaco – Mathias de Freitas – Elaine Machado)
02 – Leilão – Canta Zeca Pagodinho
(Beto Sem Braço – Zeca Pagodinho)
03 – Maravilhas do amor – Canta Pedrinho da Flor
(Gelcy do Cavaco – Pedrinho da Flor – Baster)
04 – Feirinha da Pavuna – Canta Jovelina Pérola Negra
(Jovelina Pérola Negra)
05 – Mal de amor – Canta Mauro Diniz
(Mauro Diniz – Beto Sem Braço – Zeca Pagodinho)
06 – Pot Pourri: Santa paciência – Canta Zeca Pagodinho
(Mauro Diniz – Zeca Pagodinho)
• Bamba de berço – CantaMauro Diniz e Zeca Pagodinho
(Sereno-Mauro Diniz)
07 – Garrafeiro – Canta Zeca Pagodinho
(Mauro Diniz – Zeca Pagodinho)
08 – Pingueira – Canta Elaine Machado
(Mathias de Freitas – Elaine Machado – G. Martins)
09 – Ingrata paixão – Canta Mauro Diniz
(Mauro Diniz – Ratinho – Adilson Victor)
10 – Pomba-rolou – Canta Jovelina Pérola Negra
(Adilson Gavião – Carlinho do Cachambi)
11 – A vaca – Canta Zeca Pagodinho
(Ratinho – Zeca Pagodinho)
12 – Pot Pourri: Pedra no caminho – Canta Pedrinho da Flor
(Baiano – Pedrinho da Flor)
• Bagaço da laranja – Canta Jovelina Pérola Negra e Zeca Pagodinho
(Arlindo Cruz-Zeca Pagodinho-Jovelina Pérola Negra)

Som Negro para você!

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1986 – Pérola Negra – Há cantores cheios de técnica vocal e boas intenções mas que na hora de cantar samba conseguem ser, no máximo, corretos. Em contrapartida, há outros que trazem no sangue o ritmo, mesmo sem qualquer estudo. Caso de Jovelina Pérola Negra, ex-empregada doméstica e freqüentadora dos pagodes da Serrinha, que estourou em meio ao boom de pagodeiros que invadiram o mercado entre 1985 e 86. Em menos de 15 anos de carreira, ela conseguiu imprimir seu nome entre as grandes damas do samba do país. Jovelina morreu há dez anos já um pouco esquecida pela mídia, mas ouvindo novamente seus sete discos – seis deles agora relançados na série Bambas do Samba, da Som Livre – percebe-se que seu som não envelhece graças à expressividade de suas interpretações e à força de seu repertório. O primeiro disco da sambista é o mais representativo e o que fez mais sucesso. Gravado no início de 1986, Pérola Negra traz três de seus grandes êxitos como Pagode no Serrado (“Olará, cadê Clementina de Jesus/ Ah, Jesus, cadê Dona Ivone Lara?”), Boogie-Woogie da Favela (“Quem é esse cara que pintou na área com força na goela?”) e – o maior de todos – Menina Você Bebeu (“Bebeu demais…”). No repertório, há composições de grandes bambas, como Mauro Diniz, Ratinho, Wilson Moreira, Nei Lopes, Serginho Meriti, Acyr Marques, Arlindo Cruz, Beto Sem Braço e até de sua própria autoria, como Preparado da Vovó, Água de Poço e É Isso que Eu Mereço. Samba da melhor qualidade, sem contra-indicações. (Fonte: Clique Music – Roberto Faour)

Faixas:

01 – O dia se zangou
(Mauro Diniz – Ratinho)
02 – Pagode no Serrado
(Marquinhos Pagodeiro – Zeca Sereno)
03 – Boogie-woogie da favela
(Serginho Meriti)
04 – Preparado da vovó
(Zeca Sereno – Tatão – Jovelina Pérola Negra)
05 – Menina você bebeu…
(Arlindo Cruz – Acyr Marques – Beto Sem Braço)
06 – Água de poço
(Jovelina Pérola Negra)
07 – Laços e pedaços
(Wilson Moreira – Nei Lopes)
08 – Rabo de saia
(Betinho da Balança – Monarco)
09 – Maria Tristeza
(Paulo Vizinho – Jorge Professor)
10 – Camarão com xuxu
(Nei Lopes)
11 – Chora viola
(Valdomiro – Adilson Torquato)
12 – É isso que eu mereço
(Zeca Sereno – Jovelina Pérola Negra)
Som Negro para você!

luz-do-repente.jpg1987 – Luz do Repente

1987 – Luz do Repente

Faixas:

01 – Conselho de vizinho
(Arlindo Cruz – Sombrinha)
02 – Luz do repente
(Marquinho PQD – Arlindo Cruz – Franco)
03 – Calango no morro
(Beto Sem Braço – Paulo Vizinho)
04 – Filosofia de bar
(Everaldo da Viola)
05 – Sofro de amor
(Zeca Sereno)
06 – Sem amor sou ninguém
(Ivone Lara – Délcio Carvalho)
07 – Banho de felicidade
(Adalto Magalha – Wilson Moreira)
08 – Passarinheiro fanfarrão
(Mauro Diniz – Ratinho – Monarco)
09 – Mistura
(Jovelina Pérola Negra)
10 – Garota zona sul
(Guará)
11 – Feira de São Cristóvão
(Beto Sem Braço – Bandeira Brasil)
12 – Trama
(Almir Guinéto – Adalto Magalha)

Som negro para você!

jovelina04pq.jpg1988 – Sorriso Aberto

Faixas:

01 – Sorriso aberto
(Guará)
02 – Dança velha
(J. Batista – Ronaldinho)
03 – Samba valente
(Arlindo Cruz – Sombrinha – Acyr Marques)
04 – Elos da raça
(Silvio Modesto – Capri)
05 – Falso malandro
(Adilson Bispo – Zé Roberto)
06 – Arrependimento
(Reinaldo Villas – Jorginho das Rosas – Marquinho Pagodeiro)
07 – Precipício
(Beto Sem Braço)
08 – Parto do poeta
(Luizinho)
09 – Boca do lixo
(Reco Primavera – Mário Gogó – Marquinho Pagodeiro)
10 – O que dá no norte dá no sul
(Guará – Reinaldo Villas – Jorginho das Rosas)
11 – Já ninei neném
(Jair do Valle – Carlito Cavalcanti)
12 – Não tem embaraço
(Carlito Cavalcanti – Jovelina Pérola Negra)

Som negro para você!

jovelina02pq.jpg1989 – Amigos Chegados

Faixas:

01 – Amigos chegados
(Luizinho – Arlindo Cruz)
02 – Poeta do morro
(Carlito – Jovelina Pérola Negra)
03 – Não sei se te mereço
(Chiquinho – Paula Pinto – Elson Cruz)
04 – Porta na cara
(Marco Aurélio FM)
05 – Golpe de azar
(Almir Guinéto – Arlindo Cruz – Adalto Magalha)
06 – Peripécias da vida
(Carlos Senna – Bem Sem Braço)
07 – Orgulho negro
(Jadilson Costa – Tia Doca)
08 – Santo forte
(Manelzinho Menezes)
09 – Basta te ver
(Mauro Diniz – Adilson Victor)
10 – Comunhão de bens
(Carlito Cavalcanti – Jovelina Pérola Negra)
11 – Não vou lhe enganar
(Naval – Duda – Simões PQD – Keller)
12 – Meu viver se transformou
(Ratinho – Monarco)
Som negro para você!

jovelina03pq.jpg1991 - Sangue Bom

Faixas:

01 – No mesmo manto
(Beto Corrêa – Lúcio Curvelo)
02 – Confusão na horta
(Adilson Bispo – Zé Roberto – Simões PQD)
03 – Trinta e três
(Guará)
04 – Sarau
(Beto Corrêa – Beto Sem Braço)
05 – O canto da sereia
(Mauro Diniz – Quaresma)
06 – Pelourinho, negritude e magia
(Geraldo Lima – Labre)
07 – Sangue bom
(Beto Corrêa – Lúcio Curvelo)
08 – Quem foi
(Marquinho PQD – Marcinho – Ratinho)
09 – Catatau
(Guará)
10 – Amor por um triz
(Marco Aurélio)
11 – Liberdade plena
(Beto Corrêa – Lúcio Curvelo)
12 – Acabou a colher
(Almir Guinéto – Sá de Oliveira – Laureano)

Som negro para você!

vou-na-fe.jpg1993 – Vou na Fé

Faixas:

01 – Sorriso de banjo
(Fidélis Marques – Bira da Vila – Melodia Costa)
02 – Terra de Luanda
(Nelson Rosa – Labre – Jaime Bahia)
03 – Amor indeciso
(Anacleto)
04 – Vai na fé
(Agnaldo – Jorge Carioca – Marquinho PQD)
05 – Situação
(Roberto Alves Pereira – Erci Nascimento Cardoso)
06 – Peruca de touro
(Jovelina – Carlito Cavalcanti)
07 – Malandro também chora
(Mauro Diniz)
08 – O que é, o que é?
(Arlindo Cruz – Franco)
09 – Flor esmaecida
(Toco da Mocidade)
10 – Antes do fim
(Serginho Procópio – Gigio)
11 – Águas de cachoeira
(Carlito Cavalcanti – Labre – Jovelina Pérola Negra)
12 – Dona Clementina
(Niva – Luizão 7 Cordas)

Som negro para você!

jovelina06.jpg1996 – Samba Guerreiro

Faixas:

01 – Samba Guerreiro
(Toninho Geraes – Sérgio Beagá)
02 – Rima do Êta
(Marco Aurélio FM)
03 – Amante do pagode
(Tiãozinho de Guadalupe – Anacleto)
04 – No meu barraco
(Sombra – Franco – Sombrinha)
05 – Fala tu que eu tô cansado
(Edésio Só)
06 – Feirinha sem confusão
(Marco Aurélio – Jovelina Pérola Negra)
07 – Na ladeira do Pelô
(Marco Aurélio FM)
08 – Cadê Dinorah?
(Naval – Pinel – Petrúcio Amorim)
09 – A dança do caxambu
(Zagaia – Xangô da Mangueira)
10 – Cuma é o nome dele
(Manézinho Araújo)
11 – Irmão de cor e sangue
(Alberto Silva – Edu – Dunga – Wando Telles)
12 – Perdoar
(Zeca Sereno)

Som negro para você!

jovelina-duetos.jpg2007 – Jovelina Duetos

Faixas:

01 – Luz do Repente / Feirinha da Pavuna ( Confusão de Legumes ) / Bagaço da Laranja com Zeca Pagodinho
02 – Catatau com Marcelo D2
03 – Liberdade Plena com Alcione
04 – Filosofia de Bar com Seu Jorge
05 – O Dia se Zangou com Jorge Aragão
06 – Amor Indeciso com Grupo Revelação
07 – Sonho Juvenil ( Garota Zona Sul ) com Beth Carvalho
08 – Banho de Felicidade com Fundo de Quintal
09 – É Isso que Eu Mereço com Cassiana
10 – No Mesmo Manto com Leci Brandão
11 – 33 Destinos de D. Pedro II com Dominguinhos do Estácio
12 – Menina, Você Bebeu com Almir Guineto
13 – Sorriso Aberto com Juliana Diniz, Ana Costa e Márcia Viegas
14 – Laços e Pedaços com Zélia Duncan

Som negro para você!

africo.jpgEm seu terceiro CD, Áfrico, o violonista, compositor e cantor Sérgio Santos selecionou 14 faixas, quase todas com trabalhos feitos com Paulo César Pinheiro, uma parceria iniciada há quase dez anos, e que já rendeu 180 composições. Sérgio assina sozinho letra e música de Nossa Cor, além da vinheta musical Vem Ver, que aparece quatro vezes no repertório, como uma espécie de fio condutor, sempre com diferentes letras e intérpretes.
O disco é centrado no tema e nos ritmos africanos, destacando a influência negra na cultura e na música brasileira. Com um tratamento instrumental percussivo e ao mesmo tempo sofisticado, Áfrico tem uma sonoridade quase jazzística, devido à utilização de naipes de sopros (Nailor Proveta e Teco Cardoso), piano (André Mehmani) e baixo acústico (Rodolfo Stroeter). O percussionista Robertinho Silva, o baterista Tutty Moreno e o violonista Silvio D’Amico completam este time de feras. A direção musical é de Rodolfo Stroeter e o CD conta ainda com a participação especial dos cantores Lenine, Joyce, Olivia Hime, do grupo instrumental Uakti e do percussionista Marcos Suzano.
“Todas as músicas têm influência nos ritmos de origem afro-brasileira, como jongo, samba, maracatu e afoxé. Alguns outros ritmos do CD foram criados da mistura destes, sempre tendo como referência o violão. As letras falam da trajetória do negro no Brasil, suas religiões e santos, sua cultura e costumes, a comida, a luta e a alegria – o que fez o Brasil se tornar o que é hoje, um país multicolorido, mas essencialmente crioulo” – diz o artista.

Faixas:

01. Vem Ver (Abertura)
02. Galanga Chico-Rei
03. Oluô
04. Ganga-Zumbi
05. Kêkêrêkê
06. Sincretismo
07. Vem Ver (Vinheta 1)
08. Olorum
09. Nagô
10. Sarguê
11. Congá
12. Vem Ver (Vinheta 2)
13. Quilombola
14. Áfrico
15. Quitanda das Iaôs
16. Jongo de João Congo
17. Nossa Cor
18. Vem Ver (Vinheta Final)

Som Negro para você!

jonserr2.jpgA associação Grupo Cultural Jongo da Serrinha (GCJS) foi criada em 2000 com o objetivo de dar continuidade aos trabalhos de preservação do patrimônio histórico do jongo e assistência social desenvolvidos há mais de 40 anos por Vovó Maria Joana Rezadeira e Mestre Darcy do Jongo.
Com sete anos de existência, a ONG já recebeu diversos prêmios entre eles o Itaú-Unicef e a Medalha de Ordem ao Mérito Cultural do Ministério da Cultura. O GCJS tem duas missões institucionais: educar e capacitar crianças e jovens e preservar o jongo como Patrimônio Imaterial. Como estratégia, desenvolve atividades de arte-educação e memória oral diárias e cria produtos como discos, livros, filmes e espetáculos que envolvam, da criação à produção, moradores da Serrinha. A Escola de Jongo funciona em 3 espaços da comunidade: no Centro Cultural Jongo da Serrinha, na Biblioteca Comunitária Resistência Cultural da Serrinha e no Terreiro Vovó Maria Joana. O projeto é financiado pelo Ministério da Cultura, Prefeitura do Rio e Criança Esperança e sua base pedagógica é a cultura afro e as tradições e memória da Serrinha.
Este disco foi lançado em 2002, produzido independente pelo prórpio Jongo da Serrinha e foi o primeiro de jongo do país. COntudo, a edição de 4 mil cópias está esgotada.
O jongo é uma herança cultural trazida da África pelos negros bantus, da região do Congo-Angola, para as fazendas de café do Vale do Paraíba durante o período da escravidão. Com a Abolição, muitos libertos migraram para a então capital do país, o Rio de Janeiro, formando as primeiras favelas cariocas. Considerado como o ritmo “pai do samba”, o jongo quase foi extinto durante o século passado.
O Morro da Serrinha, em Madureira, na zona norte, é uma destas favelas centenárias da cidade do RIo e o único núcleo tradicional de jongo da cidade. Contudo, em 2005, o jongo foi tombado pelo IPHAN como o primeiro Bem Imaterial do Estado do Rio e as ações positivas de divulgação do Jongo da Serrinha vêm fortalecendo esta tradição.

Fonte: http://www.jongodaserrinha.org.br e http://www.overmundo.com.br/banco/cd-jongo-da-serrinha

Faixas:

01. Bendito / Pisei na Pedra / Boi Preto / Eu Chorei
02. Vapor da Paraíba
03. Guiomar
04. Caxambu de Sá Maria
05. Ai Morena / 13 de Maio
06. Finca Tenda (Seu Vito) / É de Lorena / Jongueiro Bom
07. Caxinguelê
08. Coitado do Zé Maria
09. Eu num é Doutô / Desaforo / Carnero tá na Serra
10. Mamãe Foi Pro Jongo / Papai Subiu o Morro de São José / Maria Sunga a Saia / Eu Tenho Pena
11. Saracura
12. Bana Cum Lenço / Vou Caminhar / Bênção de Deus

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