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Lucky Philip Dube foi um cantor de reggae sul-africano.
Gravou 22 álbuns em zulu, inglês e africâner em um período de vinte e cinco anos de carreira e foi o artista sul-africano que mais vendeu disco na história do reggae.
Dube foi assassinado em Rosettenville, subúrbio de Johannesburgo, na noite de 18 de outubro de 2007.

Lucky Dube nasceu em Ermelo, anteriormente chamada de Eastern Transvaal, e agora de Mpumalanga, em 3 de agosto de 1964. Seus pais separam-se antes de seu nascimento e ele foi renegado pela sua mãe, Sarah, sua avó materna o batizou de Lucky (Sortudo em inglês), porque ela considera seu nascimento sorte. Juntamente com seus dois irmãos, Thandi e Patrick, Dube passou grande parte de sua infância com sua avó, enquanto sua mãe mudou-se para trabalhar. Em 1999 uma entrevista, revelou que sua avó foi descrita como “o amor maior”, e que “fez muitas coisas para tornar esta pessoa responsável que sou hoje.”

Na infância, Dube trabalhou como jardineiro, mas, percebendo que ele não estava ganhando o suficiente para alimentar a sua família, ele começou a frequentar a escola. Lá ele juntou um coro e, com alguns amigos, formou seu primeiro conjunto musical, chamado The Band Air Route. Enquanto na escola, ele descobriu o movimento Rastafari. Na idade de 18, Dube juntou seu primo a banda, O Love Brothers, tocando música pop conhecido como Zulu mbaqanga enquanto o financiamento para a sua vida pelo trabalho Hole e Cooke como um guarda de segurança no carro leilões em Midrand. A banda assinou com a Record Teal Companhia, sob Richard Siluma (Teal foi mais tarde incorporada Gallo Record Company). Embora Dube estava ainda na escola, a banda material gravado em Joanesburgo, durante a sua férias escolares. A resultante álbum foi lançado sob o nome de Lucky Dube e os Supersoul. O segundo álbum foi libertado pouco tempo depois e, desta vez Dube escrevi algumas das letras, além de cantar. Foi nesta mesma época que ele começou a aprender Inglês.

Sobre o lançamento de seu quinto álbum, Mbaqanga, Dave Segal (que se tornou engenheiro de som de Dube) incentivou-o a largar o “Supersoul”. Todos os álbuns foram gravados posteriores como Lucky Dube. Neste momento Dube começou a notar que os fãs estavam respondendo positivamente a algumas canções durante os concertos ao vivo. Inspirado em Jimmy Cliff e Peter Tosh, ele sentiu que o contexto sócio-político mensagens associadas com o reggae jamaicano foram relevantes para uma audiência em uma sociedade Sul-Africana racista.
Ele decidiu tentar o novo gênero musical e, em 1984, lançou o mini-álbum “Rastas Never Die”. O registro vendeu pouco – cerca de 4.000 unidades – em comparação com as 30.000 unidades vendidas com o “mbaqanga”. Keen para suprimir o activismo anti-apartheid, o regime proibiu o álbum em 1985. No entanto, ele não foi desencorajado e continuou a realizar shows de reggae ao vivo e escreveu e produziu um segundo álbum, “Think About The Children (1985)”. Atingiu disco de platina e estabeleceu-se como um artista popular na África do Sul, além de atrair a atenção fora da sua pátria.

Dube continuou a introdução bem sucedida comercialmente álbuns. Em 1989 ele ganhou quatro Prêmios OKTV para Prisoner, Captured Live ganhou outra para o ano seguinte e ainda outras duas para a Câmara de exílio no ano seguinte. Seu álbum 1993, as vítimas mais de um milhão de cópias vendidas no mundo todo. Em 1995 ele ganhou um contrato com a Motown gravação mundial. Seu álbum Trindade foi o primeiro lançamento em Tabu Motown Records depois da aquisição do rótulo.
Em 1996, ele lançou um álbum compilação, Serious Reggae Business, que levou com ele a ser chamado de “Best Selling Recording Artista Africano” no World Music Awards e do “Artista Internacional do Ano”, no Gana Music Awards. Seus próximos três álbuns cada venceu Sul Africano Music Awards. Seu mais recente álbum, Respeito, ganhou uma versão europeia através de um acordo com a Warner Music. Dube turnê internacional, a partilha de fases com artistas como Sinéad O’Connor, Peter Gabriel e Sting. Ele apareceu no 1991 Reggae Sunsplash (exclusivamente nesse ano, foi convidado para voltar ao palco 25 minutos um longo encore) e 2005 o evento Live 8, em Joanesburgo.
Além do desempenho música Dube foi outrora um ator, aparecendo nos filmes voz na escuridão, Getting Lucky e Lucky Strikes Back.

Em 18 de outubro de 2007, Dube foi assassinado no subúrbio de Joanesburgo, em Rosettenville logo após ter largado dois dos seus sete filhos e seu tio em suas casas. Dube estava dirigindo seu Chrysler 300C, que os assaltantes perseguiram. Os relatórios da polícia sugerem que ele foi morto a tiros pelos carjackers. Cinco homens foram presos com ligação comn o assassinato. Três homens foram julgados e considerados culpados, em 31 de março de 2009, dois dos homens tentaram fugir e foram capturados. Os homens foram condenados á prisão perpétua.
Ele deixou sua esposa, Zanele, e sete filhos.

Som Negro para você!

Rasta Never Dies – 1984
1. Rastas Never Die
2. Fresh Air
3. I Love You
4. Reggae Man

Ali Ibrahim “Farka” Touré (31 de outubro de 1939 – 7 de março de 2006) foi um cantor e guitarrista maliano, e um dos mais renomados músicos do Continente Africano conhecido internacionalmente. Sua música é amplamente considerada como representando um ponto de intersecção da tradicional música de Mali e seu primo americano do norte, o blues. A crença de que este último é, de fato, historicamente derivado da primeira, reflete-se nas freqüentes citações de Martin Scorsese caracterizando o estilo de Touré como constituindo “o DNA do blues”.

Nascido na aldeia de Kanau, às margens do rio Níger no região noroeste do Mali, sua família mudou-se para a aldeia vizinha de Niafunké quando ele ainda era uma criança, ele foi o décimo filho de sua mãe, mas o único a sobreviver. Em uma biografia sua feita por sua gravadora, Touré teria dado a seguinte explicação para o seu nome: “O nome que me foi dado foi Ali Ibrahim, mas é um costume no Mali, dar um apelido à criança se ela for de uma família em que outras crianças morreram”, meu apelido, “Farka”, foi escolhido por meus pais, quer dizer “burro”, um animal admirado pela sua tenacidade e obstinação”.

Ele era descendente da antiga força militar conhecida como a Arma , e era etnicamente ligado à Songrai ( Songhai ) e Peul, povos do norte do Mali.

Um dos mais bem sucedidos músicos Oeste Africano dos anos 90, Ali Farka Touré foi tantas vezes descrito como “o John Lee Hooker africano”, que eles provavelmente começaram a se irritar, tanto de Touré como Hooker. Há muito de verdade nesta comparação, no entanto, não é exatamente um insulto. O guitarrista, que também tocou outros instrumentos, como cabaça e bongôs, assim como Hooker (e outros bluesmen americanos como Lightnin ‘Hopkins) uma predileção para os vocais de baixa frequência e meios tons, muitas vezes tocando com acompanhamento mínimo.

Touré tinha um estilo mais suave que Hooker. Ele cantou em vários idiomas africanos, e apenas ocasionalmente em inglês. Certa vez ele disse que suas músicas são “sobre educação, trabalho, amor e sociedade”, e se entre ele e Hooker há tantas semelhanças, provavelmente não é pelos ideais transmitidos em suas músicas, mas devido ao fato de ambos terem se inspirado muito nas tradições rítmicas e musicais africanas, herança de muitas gerações.

Touré estava com quase 50 anos, quando ele chamou a atenção da crescente comunidade da World Music no Ocidente através de um auto-intitulado álbum no final dos anos 80. Nos anos seguintes, ele visitou frequentemente na América do Norte e a Europa, e gravou com freqüência, às vezes com contribuições de Taj Mahal e os membros do Chieftains. Em 1990, Touré afastou-se da música para se dedicar inteiramente à sua fazenda de arroz, mas foi convencido por seu produtor a pegar novamente o violão para gravar em 1994 “Talking Timbuktu”, no qual ele foi acompanhado por Ry Cooder. Foi seu trabalho mais bem recebido até aquele momento, o que lhe valeu um Grammy de Melhor Álbum de World Music, mas serviu também para provar que nem todas as colaborações musicais dos países em desenvolvimento têm de diluir os seus elementos não-ocidentais para conseguir uma ampla aceitação. No entanto, Touré afastou-se da música novamente para cuidar de sua fazenda.

Sem gravar nada durante cinco anos, ele finalmente quebrou o silêncio em 1999 com Niafunké, descartando parcerias em favor de um retorno às suas raízes musicais. Então, por mais uma vez, Touré afastou-se dos palcos e estúdios. Em 2005, talvez em parte para manter seu nome familiar para os amantes da música, gravou (pela primeira vez em CD) Red & Green, dois álbuns de gravados no início dos anos 80, vendidos em uma só embalagem como um cd duplo. O CD Heart of the Moon também foi lançado em 2005. Touré morreu a 07 de marco de 2006, de câncer nos ossos, contra o qual ele havia lutado durante anos, porém, ele ainda conseguiu concluir um último álbum antes de morrer. Seu último álbum, foi lançado postumamente Savane, em julho de 2006.

Ele foi classificado como o 76º na lista 100 Greatest Guitarists of All Time (100 Melhores Guitarristas de Todos os Tempos) da revista Rolling Stone.

Savane – The King of  the desert blues singers – 2006

Ouçam Lura. Pura beleza crioula, com uma voz que não cabe nela.

Lura é uma cantora cabo-verdiana, nascida em Lisboa . Seu envolvimento com o meio artístico começou cedo, com participações em projetos teatrais e corais, mas sua carreira como cantora despontou em 1996, aos vinte e um anos, quando gravou seu primeiro álbum, cuja canção título, Nha Vida, foi um sucesso imediato que lhe rendeu um convite para participar do importante projeto discográfico Red Hot + Lisbon, o qual reuniu grandes nomes da música lusófona. Em1998, acompanhou Cesária Évora, o maior nome da música caboverdeana, em dois importantes projetos: abriu os espetáculos daquela cantora na Expo’98 e participou, em Paris, da série de concertos do projeto ‘Cesária & friends’.

Tendo aprendido o crioulo caboverdeano de seus colegas de escola e de seus familiares, em pouco tempo Lura já era capaz de falar fluentemente e também compor nessa língua-símbolo de Cabo Verde, que hoje a cantora considera como sendo sua língua materna. Em 2002, lançou seu segundo álbum, ‘In Love’, e em novembro de 2003, Lura foi uma das três cantoras escolhidas para o projeto Women of Cape Verde, uma série de concertos realizada no Reino Unido, o que lhe rendeu convites e o lançamento de seus álbuns em diversos países europeus.

Em 2006 lança o album M´bem di fora, bastante aclamado na sua apresentação a 7 de novembro do mesmo ano no clássico Tivoli, uma sala de espetáculos referência de Portugal, em Lisboa. Uma obra mais sóbria onde a artista revela uma maior maturidade musical, conseguindo imprimir o seu cunho pessoal a temas de diversos compositores, onde se destaca o nome de Toy Vieira, director artísco do projecto e compositor de alguns de algumas das suas músicas. Segundo a cantora, é uma homenagem aos migrantes que vem do interior em busca de oportunidades nos grandes centros urbanos. A turnê do álbum incluiu concertos na Turquia, Alemanha, França, Brasil, Espanha, Austrália e Itália.

P.S. Agradecimentos à amiga Lidiane B. que me apresentou esta ótima e bela cantora.

Di Korpu Ku Alma – 2005

Músicas:

01. Tabanka Assigo (Tcheka)
02 NA RI NA (Orlando Pantera/Orlando Pantera)
03. VAZULINA (Zoi)(Orlando Pantera/Orlando Pantera)
04. NHA VIDA (Lura)
05. ÊS BIDA (Orlando Pantera)
06. TÓ MARTINS (Katchas)
07. BATUKU (Orlando Pantera)
08. PADOCE DE CÉU AZUL (Valdemiro Ferreira)
09. OH NÁIA (Lura)
10. SÓ UM CARTINHA (Lura)
11. RABOITA DI RUBON MANEL (Orlando Pantera)
12. TEM UM HORA PA TUDE (Lura – Fernando Andrade)

Som Negro para você!

M´Bem di Fora – 2006

Musicas:

1. Bida Mariadu (Lura – Toy Vieira/Toy Vieira)
2. Ponciana (Tibau Tavares)
3. Romaria (Toy Vieira)
4. No bem falá (tio Lino)
5. As-Água (Tibau Tavares)
6. Ês anu raboitas ka di fiansa (Aurélio Borges dos Santos)
7. M’bem di fora (Katchás)
8. Mari Ascenson (Traditional – Toy Vieira/Traditional)
9. Galanton (Rui Cruz)
10. Pensá Drêt (Edevaldo Figueiredo – Lura/Lura)
11. Festa di nha kumpadri (Toy Vieria)
12. Choro (Edevaldo Figueiredo – Lura)
13. Feitiço di funana (Don Kikas/Lura – Don Kikas)

Som Negro para você!

(Dakar, 1º de outubro de 1959) é um compositor, intérprete e músico senegalês.
Nasceu e cresceu no bairro da Medina em Dakar. Muçulmano e seguidor do sufismo, é pai de vários filhos e tinha duas esposas (Mamy Camara e Aïda Coulibaly). Em junho de 2007, divorciou-se da primeira, Mamy, com quem teve quatro filhos, depois de 17 anos de casamento.
Trabalhou com artistas de renome como Peter Gabriel, Paul Simon e o camaronês Manu Dibango.
Uma das suas canções mais famosas é Seven Seconds, que gravou com a cantora Neneh Cherry. Em 1998, compôs o hino para as fases finais da Copa do Mundo, La Cour Des Grands, que canta com a cantora belga Axelle Red. Compôs também a trilha sonora do filme de animação Kirikou e a feiticeira (1998).
Politicamente engajado, organizou em 1985 um concerto pela liberação de Nelson Mandela, no Estádio da Amizade, em Dakar. Também organizou vários concertos em benefício da Anistia Internacional. Embaixador de boa vontade para as Nações Unidas e para a UNICEF, foi também eleito embaixador embaixador da Organização Internacional do Trabalho.
Em 2004 participou do CD Agir Réagir em favor das vítimas do terremoto que atingiu a região de Al-Hoceima, no Marrocos.
Youssou N’Dour sempre se manteve fiel às suas origens e continua morando em sua cidade natal.

Rokku mi Rokka – 2007

Faixas:

1. 4-4-44 3:36
2. Pullo Àrdo 4:00
3. Sama Gàmmu 3:57
4. Bàjjan 4:03
5. Baay Faal 4:47
6. Sportif 3:25
7. Tukki 4:09
8. Létt ma 4:40
9. Dabbaax 5:09
10. Xel 4:50
11. Wake Up (It’s Africa Calling)

Som Negro para você!

Egypt – 2004

Faixas:

1. Allah 6:10
2. Shukran Bamba 5:30
3. Mahdiyu Laye 4:58
4. Tijaniyya 5:44
5. Baay Niasse 5:18
6. Bamba the Poet 3:51
7. Cheikh Ibra Fall 3:34
8. Touba – Daru Salaam 5:49

Som Negro para você!

7 Seconds: The Best of Youssou N’Dour – (1992-2004)

Faixas:

1. New Africa
2. Undecided (Japoulo)
3. Mouvement (Dunya)
4. 7 Seconds (Duet With Neneh Cherry)
5. Yo Le Le (Fulani Groove)
6. Without A Smile
7. Please wait
8. Country Boy
9. Birima
10. Ob-La-Di Ob-La-Da
11. Old Man
12. No More
13. Set
14. Oh Boy (Live)
15. Don’t look back
16. Things Unspoken

Som Negro para você!

Nothing’s In Vain – 2002

Faixas:

01. Tan bi
02. Moor Ndaje
03. Li ma weesu
04. Genne
05. La femme est l’avenir de l’amour
06. Mbeggeel Noonu La
07. Il n’y a pas d’amour heureux
08. Sagal ko
09. C’est L’amour
10. Doole
11. So Many Men
12. Yaru
13. Africa, Dream Again

Som Negro para você!

Joko from Village to Town – 2000

Faixas:

1. Wiri-Wiri
2. Birima
3. Beykat
4. Liggeey
5. My Hope Is In You
6. Don’t Walk Away
7. Please Wait
8. Mouvement (Dunya)
9. She Doesn’t Need To Fall
10. Yama
11. This Dream
12. Red Clay
13. How Come?
14. Don’t Look Back
15. Birima (Remix)
16. New Africa

Som Negro para você!

Guide (Wommat) – 1994

Faixas:

1. Leaving
2. Old Man
3. Without A Smile
4. Mame Bamba
5. 7 Seconds (Duet With Neneh Cherry)
6. How You Are
7. Generations (Diamono)
8. Tourista
9. Undecided (Japoulo)
10. Love One Another
11. Life
12. My People
13. Oh Boy
14. Silence
15. Chimes Of Freedom

Som Negro para você! – Parte 1 e Parte 2

Eyes Open – 1992

Faixas:

1. New Africa
2. Live Television
3. No More
4. Country Boy
5. Hope
6. Africa Remembers
7. Couple’s Choice
8. Yo Lé Lé (Fulani Groove)
9. Survie
10. Am Am
11. Marie-Madeleine la Saint-Louisienne
12. Useless Weapons
13. Same
14. Things Unspoken

Som Negro para você! Parte 1 e Parte 2

The Best of Youssou N’Dour – (1988-1991)

1. Set Listen
2. Shakin’ The Tree
3. Sinebar
4. Medina
5. The Lion (Gaiende)
6. Toxiques
7. Fenene
8. Miyoko
9. Bamako
10. Fakastalu
11. Bes
12. Hey You
13. Macoy oy
14. Immigres / Bitim Rew
15. Xale/Our Young People
16. Kocc Barma

Som Negro para você!

The Lion – 1989

1. Lion/Gaiende
2. Shaking the Tree
3. Kocc Barma
4. Bamako
5. Truth
6. Old Tucson
7. Macoy
8. My Daughter (Sama Doom)
9. Bes

Som Negro para você!

Badou – 1986

1. DJamil
2. Laye Fall
3. Bekoor
4. Wagane Faye
5. Nanette Ada
6. Xale Yi Rew Mi
7. Badou

Som Negro para você!

rodrigues_website.jpgA cantora baiana Virgínia Rodrigues converte o samba em clássico e faz sucesso fora do Brasil

A história da cantora baiana Virgínia Rodrigues ficou tão conhecida internacionalmente que os jornalistas americanos a apelidaram de Cinderela brasileira. Ela calha à personagem da fábula: nasceu há 39 anos em Salvador, cresceu em uma favela, abandonou os estudos aos 12 anos e trabalhou como cozinheira e manicure. Seus pais, religiosos, levaram-na à igreja ainda criança. Ali, aprendeu a cantar de ouvido e passou a se apresentar em missas e casamentos. Quando já se conformava com o destino, veio o príncipe encantado. Era um conterrâneo: Caetano Veloso. O compositor descobriu-a há nove anos, contratou-a para o casting de sua gravadora, a Natasha, investiu na moça e a converteu em diva da MPB. Felizmente, o fenômeno não virou abóbora à meia-noite. Virgínia chega ao terceiro CD, Mares Profundos, coroada pelo sucesso no Exterior – embora ainda seja desconhecida em sua terra natal. Borralheiras não fazem milagre em casa.
Lançado em janeiro nos Estados Unidos, Mares Profundos chega ao Brasil nesta semana, com edição simultânea na Europa. O selo do álbum é o prestigioso Edge, da gravadora alemã Deutsche Grammophon, a mais tradicional da música erudita. A produção, claro, é de Caetano. O repertório é venerável: 11 afro-sambas compostos entre 1962 e 1966 pelo violonista Baden Powell (1937-2000) e pelo poeta Vinícius de Moraes (1913-1980). O programa fecha com o samba ‘Lapinha’ (Baden-Paulo César Pinheiro).
O CD apresenta uma evolução em relação aos primeiros trabalhos – Sol Negro (1997) e Nós (2000), ambos com boa recepção da crítica, mas marcados por certo exibicionismo endereçado a estrangeiros. Virgínia agora atinge a maturidade. Abandona floreios e indecisões para abraçar a técnica erudita. Seu disco pode ser ouvido como homenagem aos afro-sambas e profissão de fé na interpretação clássica. Ela inova ao abordar os sambas como crossover, o encontro do popular com o erudito. Isso num ano em que o mercado clássico murcha. A cantora tenta salvar a música erudita pelo samba. Obviamente, não consegue, mas produziu um belo álbum.
Acompanhada por um grupo de câmara em que estão presentes violão e percussão brasileiros, ela dá conta das composições. Sua voz de meio-soprano é precisa, e mergulha nas modulações e no conteúdo dos versos. Falta-lhe, talvez, uma dose maior de espontaneidade. Em muitos momentos ela soa como cantora de coral. Mas seu estilo não destoa do toque erudito que Baden e Vinícius imprimiram aos afro-sambas escritos sob o impacto do candomblé. A coleção põe em fusão bossa nova, jazz e atabaques. Essas músicas marcaram a MPB dos anos 60. Foi então que ‘Canto de Ossanha’ e ‘Berimbau’ se consagraram na voz de Elis Regina. Na de Virgínia, tornam-se árias delicadas, dignas de palcos de ópera e altares.
É um repertório difícil. Baden, com seu timbre de corda estalada, gravou-o mal no fim da carreira, e Mônica Salmaso iniciou a sua em 1995 enfrentando a coleção em alto estilo. A cantora baiana arriscou outro rumo, revelando a dimensão sagrada dos afro-sambas. Mantém o encanto que exibia nos tempos de principiante, sem deixar de ampliar seus horizontes, do pop ao clássico. E não poderia prestar homenagem mais apropriada a uma das bíblias da canção brasileira.

Fonte: Revista Época

Agradecimentos ao Blog Compartilhe Candomblé MP3

sol-negro.jpgVirgínia Rodrigues – SOL NEGRO (1997)

Faixas:

01 Verônica (Folclore)
02 Noite de temporal (Dorival Caymmi)
03 Negrume da noite (Paulinho do Reco – Cuimba)
04 Lua, lua, lua, lua (Caetano Veloso)
05 Adeus, batucada (Synval Silva)
06 Nobreza (Djavan)
07 Sol negro (Caetano Veloso)
08 Terra seca (Ary Barroso)
09 Manhã de carnaval (Antônio Maria – Luiz Bonfá)
10 I wanna be readt (American Spiritual)
11 Querubim (Carlinhos Brown)
12 Israfel (Edgar Allan Poe – Zuarte)

Som Negro para você!
nos_virginiarodrigues.jpgVirgínia Rodrigues – NÓS (2000)

Faixas:

01 Canto para Exú (Folclore)
02 Uma história de Ifá (Ythamar Tropicália – Rey Zulu)
03 Salvador não inerte (Bobôco – Beto Jamaica)
04 Afrekêtê (Edil Pacheco – Paulo César Pinheiro)
05 Jeito faceiro (Jaupery – Pierre Onassis)
06 Depois que o Ilê passar (Miltão)
• Ilê é ímpar (ALuizio Meneses-Alberto Pitta)
07 Ojú Obá (Edil Pacheco – Paulo César Pinheiro)
08 Raça negra (Walmir – Gibi)
09 Deus do fogo e da justiça (Oswaldo)
• Deusa do ébano (Geraldo Lima)
10 Malê de Balê (Edil Pacheco – Paulo César Pinheiro)
11 Mimar você Gilson Babilônia – Alain Tavares)
12 Reino de Daomé (Tonho Matéria)

Som Negro para você!

mares-profundos.jpgVirgínia Rodrigues – MARES PROFUNDOS

Faixas:

01. Canto de Pedra Preta (Black Rock’s Song)
02. Tristeza E Solidão (Sadness and Solitude)
03. Bocochê
04. Tempo de Amor (The Time of Love)
05. Canto de Iemanjá (Song of Yemanja)
06. Labareda (Burning Flame)
07. Canto de Xangô (Song of Shango)
08. Canto de Ossanha (Song of Ossain)
09. Lapinha
10. Consolação (Consolation)
11. Berimbau
12. Lamento de Exu

Som Negro para você!

o-canto-dos-escravos-capa.jpg

‘O Canto dos Escravos’ está de volta, em CD
O trabalho, original de 1982, reúne Clementina de Jesus, Geraldo Filme e Tia Doca, que interpretam cantigas ancestrais dos negros benguelas, de São João da Chapada, em Diamantina, Minas Gerais .

Um dos títulos mais importantes e corajosos da fonografia brasileira acaba de chegar, 21 anos depois do lançamento em elepê, ao formato digital. Trata-se de O Canto dos Escravos (dentro da série Memória Eldorado), coleção de 14 cantos da série recolhida por Aires da Mata Machado Filho no fim dos anos 20 do século passado, em São João da Chapada, município de Diamantina, Minas Gerais. Interpretando os cantos, Tia Doca, pastora da Velha Guarda da Portela, Geraldo Filme, um dos nomes fundamentais do samba paulistano, e Clementina de Jesus, a rainha negra da voz, como a definiram Moacyr Luz e Aldir Blanc.
O projeto do disco e a coordenação artística são de Aluísio Falcão, colaborador do Caderno 2, e a direção musical e produção ficaram a cargo de Marcus Vinicius de Andrade, hoje diretor artístico da gravadora CPC-Umes.
Marcus Pereira era um publicitário amante da música que criou o selo Ambos trabalharam, antes, no selo Marcus Pereira, que, pioneiramente, levou a cabo um levantamento sonoro da música da cultura popular de diversas regiões do Brasil – trabalho, aliás, que ainda não mereceu relançamento em CD à altura de sua importância. para dar brindes aos seus clientes, nos fins de ano. Aos poucos, abandou a rendosa publicidade, na qual era muito bem-sucedido, e ficou só com a gravadora, que viveu sempre grandes dificuldades financeiras. Problemas de distribuição, comum a todos os selos alternativos, projetos caros, como o citado mapeamento da cultura popular, com deslocamento de equipes e equipamento para praças distantes.
Não tinha preocupação comercial e tinha muita preocupação com a cultura. Os que se juntaram a ele tomaram o exemplo e, posteriormente, em outros selos, deram, de alguma forma, prosseguimento ao seu trabalho, eventualmente, ampliando-lhe o universo. A Eldorado tinha e tem, sim, orientação comercial, mas com extremo cuidado na seleção de seus títulos (Cartola, Nelson Sargento, Geraldo Filme, Adoniran Barbosa fizeram suas estréias em disco por ela), e sua iniciativa mais ousado terá sido esse O Canto dos Escravos, que há muitos anos estava fora de catálogo e era objeto de disputa entre colecionadores, estudiosos e amantes da cultura brasileira.
O filólogo, filósofo, professor de Filologia Românica da Universidade Federal e da Universidade Católica de Minas Gerais, historiador, jornalista, presidente, durante muito tempo, da Comissão Mineira do Folclore, foi um pioneiro em muitas frentes. Escreveu, nos anos 30, já que sofria de deficiência visual, uma Educação de Cegos no Brasil, e publicava, no jornal O Estado de Minas, uma coluna semanal com lições de ortografia e gramática, além de responder às dúvidas dos leitores.
Carlos Drummond de Andrade escreve-lhe uma homenagem em forma de poema, louvando o “mineiro ladino/ Que captou na fala do povo/ No mistério dos ritos/ no arco-íris das serras/ O ar, a alma de Minas”.
Em férias, em 1929, o filólogo viajou para São João da Chapada, onde lhe chamaram a atenção “umas cantigas em língua africana ouvidas outrora nos serviços de mineração”, conforme descreveu no livro O Negro e o Garimpo em Minas Gerais, obra publicada em 1943 pela editora José Olympio.
Vissungos – Tais cantos são chamados vissungos, palavra que vem do umbundo ovisungo (cantiga, cântico), conforme ensina Nei Lopes em seu Dicionário Banto do Brasil. Já era plano de Aires da Mata Machado recolher os vissungos e reunir o vocabulário e a gramática da língua dos negros benguelas. Teve pouco êxito na primeira investida; na
segunda, ele e seu colaborador Araújo Sobrinho ouviram de um Seu Tameirão 200 palavras e algumas cantigas; adiante, surgiram outros cantadores que sabiam letra, música e tradução.
Mata Machado sustenta a importância dos vissungos, sua influência nos começos daquelearraial e mais “os vestígios da língua das cantigas na linguagem corrente, na onomástica e na toponímia” – os vestígios de um um dialeto banto num tempo em que se pensava que a língua dos negros trazidos como escravos para o Brasil resumia-se ao nagô.
Ele defendia que os estudos da dialetologia brasileira e questões que dissessem respeito à etnografia seriam sempre provisórios se não fosse considerada a importância de Minas Gerais – e o tempo encarregou-se de mostrar seu acerto. O texto de introdução de O Negro e o Garimpo em Minas Gerais vai reproduzido no CD; o autor autorizou essa reprodução e a gravação de 14 dos 65 cantos que recolheu e partiturou. Autorizou, ainda, a reprodução das notas que, no livro, acompanham as letras dos cantos, traduções do dialeto dos benguelas e observações sobre o sentido dos textos. O dialeto, já modificado, incorporava palavras em português e misturava as duas falas: “São João foi no céu, é dévera/ São João foi no céu, é mentira/ Omenhá, omenhá rossequê”, canta a voz ancestral de Clementina de Jesus, nascida em Valença, no Estado do Rio, mas de família que migrou de Minas, no Canto XII. Os cantos não têm títulos, são numerados.
O disco, de uma beleza crua, não tem instrumentos harmônicos. Acompanham os três cantores a percussão de troncos, xequerês, enxadas, cabaças, atabaques, agogôs, ganzás, caxixis e afoxés tocados por Djalma Corrêa, Papete e Don Bira.
Os intérpretes são figuras de sabida importância na divulgação e sustentação da cultura brasileira de origem africana. Geraldo Filme, grande compositor, cantor de vozeirão profundo, foi, na definição de Osvaldinho da Cuíca, o grande articulador, a “cabeça pensante” do samba paulistano. Tia Doca, nascida Jilçaria Cruz Costa, manteve por décadas um pagode dominical que ajudou a manter vivo o samba de raiz carioca; sua participação no disco foi sugerida por Clementina de Jesus, que foi revelada ao mundo aos 64 anos, depois de ouvida, num botequim da Lapa, centro do Rio, por Hermínio Bello de Carvalho.

Paulo Eduardo Neves
Fonte: Agenda do Samba & Choro, o boteco virtual do samba e choro

Faixas:

1-Canto I (Folclore)
2-Canto II (Folclore)
3-Canto III (Folclore)
4-Canto IV (Folclore)
5-Canto V (Folclore)
6-Canto VI (Folclore)
7-Canto VII (Folclore)
8-Canto VIII (Folclore)
9-Canto IX (Folclore)
10-Canto X (Folclore)
11-Canto XI (Folclore)
12-Canto XII (Folclore)
13-Canto XIII (Folclore)
14 -Canto XIV (Folclore)

Som Negro para você!

jovelina01.jpgRevelada tardiamente, estreou em disco em 1985, na coletânea “Raça Brasileira” com dois pagodes clássicos: “Bagaço da Laranja” e “Feirinha da Pavuna”. Herdeira natural de Clementina de Jesus na dinastia das grandes vozes femininas do samba, foi uma das peças importantes da condução do samba de fundo de quintal e do pagode para a linha de frente da MPB, ao lado de Zeca Pagodinho, Almir Guineto e o Grupo Fundo de Quintal. Pastora do Império Serrano, foi alçada ao estrelato depois da estréia, gravando cinco discos entre 1986 e 89, conquistando até um Disco de Platina. Seu último disco, “Samba Guerreira”, foi lançado em 1996. Entre seus maiores sucessos estão “Amigos Chegados” (Arlindo Cruz/ Luizinho), “Luz do repente” (A. Cruz), “Feirinha da Pavuna”, “Bagaço da Laranja” (com Zeca Pagodinho e Arlindo Cruz), “Garota Zona Sul” (Guará).
A voz amarfanhada da pagodeira Jovelina Pérola Negra (1944-1998) tem estirpe e a coloca entre as grandes damas do samba, de Clementina de Jesus a D. Ivone Lara. Ex-empregada doméstica como Clementina, Jovelina Faria Belfort desfilava na ala das baianas do Império Serrano e ficou conhecida como partideira animando o Botequim da escola da Serrinha ao lado de Roberto Ribeiro e Jorginho do Império. Em 1985 escalou o pau-de-sebo (disco de diversos intérpretes iniciantes que serve como teste de popularidade) que projetou Zeca Pagodinho, entre outros. Embora em menor proporção que o colega, ela tambéjovelinaperolanegra.jpgm estourou no mercado. Essa antologia empilha os melhores momentos (registrados no selo RGE) de uma carreira cortada subitamente por um enfarte dez anos atrás. No repertório de raiz , centrado no partido alto dos fundos de quintal movido a banjo e tantã, há desde outro sambista precocemente falecido, o Guará de Sorriso Aberto e Sonho Juvenil ao Nei Lopes de Camarão com Chuchu, o Mauro Diniz (filho de Monarco) de Malandro Também Chora e Passarinheiro Fanfarrão (com Monarco e Ratinho). Outros especialistas no estilo desalinhado do pagode (que punkiou o samba dos 80) entram na divisão esperta e bem humorada da autora de Feirinha da Pavuna e Peruca de Touro (com Carlito Cavalcanti) como Adilson Bispo (Confusão na Horta, com Zé Roberto e Simões PQD) e o Beto Sem Braço de Menina Você Bebeu, com Acyr Marques e o mesmo Arlindo Cruz (cuja mãe na época comandava um fundo de quintal básico em Cascadura) do clássico Bagaço da Laranja, que a cantora divide no gogó com o co-autor Zeca Pagodinho. O suprassumo do pagode na voz de sua diva sem pedestal. (Tárik de Souza)

raca-brasileira01.jpg
1985 – Raça Brasileira – Ótimo LP da RGE, onde aparecem pela primeira vez nomes como Zeca Pagodinho, Mauro Diniz, Pedrinho da Flor, Elaine Machado e Jovelina Pérola Negra.

Pagodes que a Jovelina interpreta neste disco:

1.Feirinha da Pavuna (Jovelina)
2.Pomba-Rolou (Adilson Gavião/Carlos do Cachambi)
3.Bagaço da Laranja (Arlindo Cruz/Zeca Pagodinho/Jovelina)

Faixas:

01 – Raça brasileira – Canta Elaine Machado
(Zé do Cavaco – Mathias de Freitas – Elaine Machado)
02 – Leilão – Canta Zeca Pagodinho
(Beto Sem Braço – Zeca Pagodinho)
03 – Maravilhas do amor – Canta Pedrinho da Flor
(Gelcy do Cavaco – Pedrinho da Flor – Baster)
04 – Feirinha da Pavuna – Canta Jovelina Pérola Negra
(Jovelina Pérola Negra)
05 – Mal de amor – Canta Mauro Diniz
(Mauro Diniz – Beto Sem Braço – Zeca Pagodinho)
06 – Pot Pourri: Santa paciência – Canta Zeca Pagodinho
(Mauro Diniz – Zeca Pagodinho)
• Bamba de berço – CantaMauro Diniz e Zeca Pagodinho
(Sereno-Mauro Diniz)
07 – Garrafeiro – Canta Zeca Pagodinho
(Mauro Diniz – Zeca Pagodinho)
08 – Pingueira – Canta Elaine Machado
(Mathias de Freitas – Elaine Machado – G. Martins)
09 – Ingrata paixão – Canta Mauro Diniz
(Mauro Diniz – Ratinho – Adilson Victor)
10 – Pomba-rolou – Canta Jovelina Pérola Negra
(Adilson Gavião – Carlinho do Cachambi)
11 – A vaca – Canta Zeca Pagodinho
(Ratinho – Zeca Pagodinho)
12 – Pot Pourri: Pedra no caminho – Canta Pedrinho da Flor
(Baiano – Pedrinho da Flor)
• Bagaço da laranja – Canta Jovelina Pérola Negra e Zeca Pagodinho
(Arlindo Cruz-Zeca Pagodinho-Jovelina Pérola Negra)

Som Negro para você!

jovelina00.jpg

1986 – Pérola Negra – Há cantores cheios de técnica vocal e boas intenções mas que na hora de cantar samba conseguem ser, no máximo, corretos. Em contrapartida, há outros que trazem no sangue o ritmo, mesmo sem qualquer estudo. Caso de Jovelina Pérola Negra, ex-empregada doméstica e freqüentadora dos pagodes da Serrinha, que estourou em meio ao boom de pagodeiros que invadiram o mercado entre 1985 e 86. Em menos de 15 anos de carreira, ela conseguiu imprimir seu nome entre as grandes damas do samba do país. Jovelina morreu há dez anos já um pouco esquecida pela mídia, mas ouvindo novamente seus sete discos – seis deles agora relançados na série Bambas do Samba, da Som Livre – percebe-se que seu som não envelhece graças à expressividade de suas interpretações e à força de seu repertório. O primeiro disco da sambista é o mais representativo e o que fez mais sucesso. Gravado no início de 1986, Pérola Negra traz três de seus grandes êxitos como Pagode no Serrado (“Olará, cadê Clementina de Jesus/ Ah, Jesus, cadê Dona Ivone Lara?”), Boogie-Woogie da Favela (“Quem é esse cara que pintou na área com força na goela?”) e – o maior de todos – Menina Você Bebeu (“Bebeu demais…”). No repertório, há composições de grandes bambas, como Mauro Diniz, Ratinho, Wilson Moreira, Nei Lopes, Serginho Meriti, Acyr Marques, Arlindo Cruz, Beto Sem Braço e até de sua própria autoria, como Preparado da Vovó, Água de Poço e É Isso que Eu Mereço. Samba da melhor qualidade, sem contra-indicações. (Fonte: Clique Music – Roberto Faour)

Faixas:

01 – O dia se zangou
(Mauro Diniz – Ratinho)
02 – Pagode no Serrado
(Marquinhos Pagodeiro – Zeca Sereno)
03 – Boogie-woogie da favela
(Serginho Meriti)
04 – Preparado da vovó
(Zeca Sereno – Tatão – Jovelina Pérola Negra)
05 – Menina você bebeu…
(Arlindo Cruz – Acyr Marques – Beto Sem Braço)
06 – Água de poço
(Jovelina Pérola Negra)
07 – Laços e pedaços
(Wilson Moreira – Nei Lopes)
08 – Rabo de saia
(Betinho da Balança – Monarco)
09 – Maria Tristeza
(Paulo Vizinho – Jorge Professor)
10 – Camarão com xuxu
(Nei Lopes)
11 – Chora viola
(Valdomiro – Adilson Torquato)
12 – É isso que eu mereço
(Zeca Sereno – Jovelina Pérola Negra)
Som Negro para você!

luz-do-repente.jpg1987 – Luz do Repente

1987 – Luz do Repente

Faixas:

01 – Conselho de vizinho
(Arlindo Cruz – Sombrinha)
02 – Luz do repente
(Marquinho PQD – Arlindo Cruz – Franco)
03 – Calango no morro
(Beto Sem Braço – Paulo Vizinho)
04 – Filosofia de bar
(Everaldo da Viola)
05 – Sofro de amor
(Zeca Sereno)
06 – Sem amor sou ninguém
(Ivone Lara – Délcio Carvalho)
07 – Banho de felicidade
(Adalto Magalha – Wilson Moreira)
08 – Passarinheiro fanfarrão
(Mauro Diniz – Ratinho – Monarco)
09 – Mistura
(Jovelina Pérola Negra)
10 – Garota zona sul
(Guará)
11 – Feira de São Cristóvão
(Beto Sem Braço – Bandeira Brasil)
12 – Trama
(Almir Guinéto – Adalto Magalha)

Som negro para você!

jovelina04pq.jpg1988 – Sorriso Aberto

Faixas:

01 – Sorriso aberto
(Guará)
02 – Dança velha
(J. Batista – Ronaldinho)
03 – Samba valente
(Arlindo Cruz – Sombrinha – Acyr Marques)
04 – Elos da raça
(Silvio Modesto – Capri)
05 – Falso malandro
(Adilson Bispo – Zé Roberto)
06 – Arrependimento
(Reinaldo Villas – Jorginho das Rosas – Marquinho Pagodeiro)
07 – Precipício
(Beto Sem Braço)
08 – Parto do poeta
(Luizinho)
09 – Boca do lixo
(Reco Primavera – Mário Gogó – Marquinho Pagodeiro)
10 – O que dá no norte dá no sul
(Guará – Reinaldo Villas – Jorginho das Rosas)
11 – Já ninei neném
(Jair do Valle – Carlito Cavalcanti)
12 – Não tem embaraço
(Carlito Cavalcanti – Jovelina Pérola Negra)

Som negro para você!

jovelina02pq.jpg1989 – Amigos Chegados

Faixas:

01 – Amigos chegados
(Luizinho – Arlindo Cruz)
02 – Poeta do morro
(Carlito – Jovelina Pérola Negra)
03 – Não sei se te mereço
(Chiquinho – Paula Pinto – Elson Cruz)
04 – Porta na cara
(Marco Aurélio FM)
05 – Golpe de azar
(Almir Guinéto – Arlindo Cruz – Adalto Magalha)
06 – Peripécias da vida
(Carlos Senna – Bem Sem Braço)
07 – Orgulho negro
(Jadilson Costa – Tia Doca)
08 – Santo forte
(Manelzinho Menezes)
09 – Basta te ver
(Mauro Diniz – Adilson Victor)
10 – Comunhão de bens
(Carlito Cavalcanti – Jovelina Pérola Negra)
11 – Não vou lhe enganar
(Naval – Duda – Simões PQD – Keller)
12 – Meu viver se transformou
(Ratinho – Monarco)
Som negro para você!

jovelina03pq.jpg1991 - Sangue Bom

Faixas:

01 – No mesmo manto
(Beto Corrêa – Lúcio Curvelo)
02 – Confusão na horta
(Adilson Bispo – Zé Roberto – Simões PQD)
03 – Trinta e três
(Guará)
04 – Sarau
(Beto Corrêa – Beto Sem Braço)
05 – O canto da sereia
(Mauro Diniz – Quaresma)
06 – Pelourinho, negritude e magia
(Geraldo Lima – Labre)
07 – Sangue bom
(Beto Corrêa – Lúcio Curvelo)
08 – Quem foi
(Marquinho PQD – Marcinho – Ratinho)
09 – Catatau
(Guará)
10 – Amor por um triz
(Marco Aurélio)
11 – Liberdade plena
(Beto Corrêa – Lúcio Curvelo)
12 – Acabou a colher
(Almir Guinéto – Sá de Oliveira – Laureano)

Som negro para você!

vou-na-fe.jpg1993 – Vou na Fé

Faixas:

01 – Sorriso de banjo
(Fidélis Marques – Bira da Vila – Melodia Costa)
02 – Terra de Luanda
(Nelson Rosa – Labre – Jaime Bahia)
03 – Amor indeciso
(Anacleto)
04 – Vai na fé
(Agnaldo – Jorge Carioca – Marquinho PQD)
05 – Situação
(Roberto Alves Pereira – Erci Nascimento Cardoso)
06 – Peruca de touro
(Jovelina – Carlito Cavalcanti)
07 – Malandro também chora
(Mauro Diniz)
08 – O que é, o que é?
(Arlindo Cruz – Franco)
09 – Flor esmaecida
(Toco da Mocidade)
10 – Antes do fim
(Serginho Procópio – Gigio)
11 – Águas de cachoeira
(Carlito Cavalcanti – Labre – Jovelina Pérola Negra)
12 – Dona Clementina
(Niva – Luizão 7 Cordas)

Som negro para você!

jovelina06.jpg1996 – Samba Guerreiro

Faixas:

01 – Samba Guerreiro
(Toninho Geraes – Sérgio Beagá)
02 – Rima do Êta
(Marco Aurélio FM)
03 – Amante do pagode
(Tiãozinho de Guadalupe – Anacleto)
04 – No meu barraco
(Sombra – Franco – Sombrinha)
05 – Fala tu que eu tô cansado
(Edésio Só)
06 – Feirinha sem confusão
(Marco Aurélio – Jovelina Pérola Negra)
07 – Na ladeira do Pelô
(Marco Aurélio FM)
08 – Cadê Dinorah?
(Naval – Pinel – Petrúcio Amorim)
09 – A dança do caxambu
(Zagaia – Xangô da Mangueira)
10 – Cuma é o nome dele
(Manézinho Araújo)
11 – Irmão de cor e sangue
(Alberto Silva – Edu – Dunga – Wando Telles)
12 – Perdoar
(Zeca Sereno)

Som negro para você!

jovelina-duetos.jpg2007 – Jovelina Duetos

Faixas:

01 – Luz do Repente / Feirinha da Pavuna ( Confusão de Legumes ) / Bagaço da Laranja com Zeca Pagodinho
02 – Catatau com Marcelo D2
03 – Liberdade Plena com Alcione
04 – Filosofia de Bar com Seu Jorge
05 – O Dia se Zangou com Jorge Aragão
06 – Amor Indeciso com Grupo Revelação
07 – Sonho Juvenil ( Garota Zona Sul ) com Beth Carvalho
08 – Banho de Felicidade com Fundo de Quintal
09 – É Isso que Eu Mereço com Cassiana
10 – No Mesmo Manto com Leci Brandão
11 – 33 Destinos de D. Pedro II com Dominguinhos do Estácio
12 – Menina, Você Bebeu com Almir Guineto
13 – Sorriso Aberto com Juliana Diniz, Ana Costa e Márcia Viegas
14 – Laços e Pedaços com Zélia Duncan

Som negro para você!

jardineiro-fiel-capa-300px.jpgPara aqueles que conhecem a produção musical do espanhol Alberto Iglesias, serão surpreendidos com o trabalho que ele fez para o filme “O Jardineiro Fiel”, baseado no romance best-seller de John le Carré. Em um lugar remoto do norte do Quênia, a ativista Tessa Quayle (Rachel Weisz) é encontrada brutalmente assassinada e as evidências apontam seu esposo Justin Quayle (Ralph Fiennes), um diplomata britânico, como o principal suspeito.
Famoso por ter feito a trilha sonora dos cinco filmes mais recentes de Pedro Almodóvar, Iglesias reinventou o estilo que o fez famoso, misturando sons e instrumentos da África. O resultado é uma trilha sonora que foi indicada a vários grandes prêmios concorrendo com outras grandes obras feitas para o cinema no ano de 2005. “O Jardineiro Fiel” é um corpo contínuo da música que serve como um grande lugar onde o diretor Fernando Meirelles (Cidade de Deus) pôde lançar os conceitos visuais que fazem deste um dos melhores filmes em épocas recentes. Junto com o trabalho de Alberto Iglesias, você pode apreciar a voz e as cordas de Ayub Ogaba, cantor e instrumentista queniano, que em diversas faixas deste CD canta e toca Nyatiti, um instrumento clássico de oito cordas, semelhante a uma harpa, que originalmente era usado pelo povo Luo, do oeste da África nas músicas Benga, gênero musical do Quênia contribuindo assim para uma mistura musical contagiante.

Faixas:

01. Tessa’s Death
02. Roadblock
03. To Germany
04. Tessa In The Bath
05. Jomo Gets An HIV Test
06. Dicholo – Ayub Ogada
07. We’ll Both Be Dead By Christmas
08. Motorbike
09. To Airport
10. Funeral
11. Three Bees Testing
12. Sandy Goes To The Hospital
13. Kothbiro – Ayub Ogada
14. Justin Returns To The House
15. Raid
16. Destruction
17. To Loki
18. Kindergarten
19. Hospital
20. Kenny Curtis
21. Landing In Sudan
22. Justin’s Breakdown
23. Justin’s Death
24. Dropped Off At Turkana
25. Roadblock II
26. Procession

Som Negro para você!

rough-guide-music-of-kenya-and-tanzania.jpgEste CD, parte da Série Rough Guide, é uma excelente demonstração da música da África Oriental, especificamente dos países do Quênia e da Tanzânia. É também o cd mais acessível da música do leste da África disponível. Começa com uma música pop do grande Simba Wanyika, e continua com umas ora mais dançante e ora mais jazzística no decorrer do cd. Escutando as primeiras canções, é fácil de perceber alguns paralelos entre o jazz ou músicas do caribenhas, assim como determinadas músicas tradicionais do oeste da África (juju e afro-beat). Depois, nós temos “Jacob Omolo”, com Ogweng Lelo Okoth e Padddy J. Onono, que tem algumas influências do leste africano. Depois, há uma outra canção de influência folksy dos grandes músicos da Tanzânia. A faixa 9, um tanto surpreendente, é de um ritual tradicional de iniciação Wagogo. É um exemplo excelente da música tradicional Wagogo e realmente ajuda destacar à diversidade da África oriental. As duas trilhas seguintes, foram selecionadas dentre as melhores da música pop africana, com uma batida um pouco mais dançante que as anteriores. A faixa seguinte é “Mtindo Wa Mombasa” do grupo Zein Musical Party, uma música do Médio-Oriental. Finalmente, para fechar o cd foi escolhida uma música Taraab, “Sibadli” do grupo Culture Music Club. Acima de tudo, este é um CD excelente, embora haja uma certa inclinação para a música pop sobre outros estilos. Talvez seria mais interessante se tivesse mais música Taraab, mas ainda assim, não muda o fato de que este é um grande CD.

Faixas:

01. Mwongele – Simba Wanyika
02. V.B. Pod Wamol – Victoria Kings
03. Junja Mifupa – Samba Mapangala
04. Piny Ose Mer – D.O. Misiani & Shirati Jazz
05. Esiesi Siolle – Abana Ba Nasery
06. Likuta Bibi – Henry Makobi
07. Jacob Omolo – Ogwang Lelo Okoth With Paddy J. Onono
08. Tanzania Yetu – Master Musicians Of Tanzania
09. Wagogo Initaition Dance – ‘Moheme’ Dance Tanzania
10. Edita – Milimani Park Orchestra
11. Usia Kwa Watoto – Juwata Jazz Band
12. Mtindo Wa Mombasa – Zein Musical Party
13. Sibadili – Culture Musical Club

Som Negro para você!

africo.jpgEm seu terceiro CD, Áfrico, o violonista, compositor e cantor Sérgio Santos selecionou 14 faixas, quase todas com trabalhos feitos com Paulo César Pinheiro, uma parceria iniciada há quase dez anos, e que já rendeu 180 composições. Sérgio assina sozinho letra e música de Nossa Cor, além da vinheta musical Vem Ver, que aparece quatro vezes no repertório, como uma espécie de fio condutor, sempre com diferentes letras e intérpretes.
O disco é centrado no tema e nos ritmos africanos, destacando a influência negra na cultura e na música brasileira. Com um tratamento instrumental percussivo e ao mesmo tempo sofisticado, Áfrico tem uma sonoridade quase jazzística, devido à utilização de naipes de sopros (Nailor Proveta e Teco Cardoso), piano (André Mehmani) e baixo acústico (Rodolfo Stroeter). O percussionista Robertinho Silva, o baterista Tutty Moreno e o violonista Silvio D’Amico completam este time de feras. A direção musical é de Rodolfo Stroeter e o CD conta ainda com a participação especial dos cantores Lenine, Joyce, Olivia Hime, do grupo instrumental Uakti e do percussionista Marcos Suzano.
“Todas as músicas têm influência nos ritmos de origem afro-brasileira, como jongo, samba, maracatu e afoxé. Alguns outros ritmos do CD foram criados da mistura destes, sempre tendo como referência o violão. As letras falam da trajetória do negro no Brasil, suas religiões e santos, sua cultura e costumes, a comida, a luta e a alegria – o que fez o Brasil se tornar o que é hoje, um país multicolorido, mas essencialmente crioulo” – diz o artista.

Faixas:

01. Vem Ver (Abertura)
02. Galanga Chico-Rei
03. Oluô
04. Ganga-Zumbi
05. Kêkêrêkê
06. Sincretismo
07. Vem Ver (Vinheta 1)
08. Olorum
09. Nagô
10. Sarguê
11. Congá
12. Vem Ver (Vinheta 2)
13. Quilombola
14. Áfrico
15. Quitanda das Iaôs
16. Jongo de João Congo
17. Nossa Cor
18. Vem Ver (Vinheta Final)

Som Negro para você!

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